Mark Driscoll, um pastor arrependido - Blog Prosa de Crente

Mark Driscoll, um pastor arrependido

Postado em Igreja | Data: 21 mar 2014 | Autor:

Pastor da Mars Hill Church vem a público pedir perdão

Mark Driscoll, da Mars Hill Church

Nesta semana o site Religion News publicou uma notícia sobre o famoso pastor Mark Driscoll, da igreja Mars Hill Church, em Seattle, EUA, muito conhecido por vídeos postados no YouTube, em que ele aborda temas incomuns nas igrejas de uma forma irreverente e bastante bíblica. Segundo a reportagem, Driscoll pediu desculpas publicamente por erros cometidos na estratégia de marketing do seu livro “Real Marriage” (Casamento Real). Driscoll contratou uma empresa para comprar exemplares do seu livro e, assim, fazê-lo entrar na lista dos mais vendidos do jornal The New York Times.

“Estou arrependido de ter usado esta estratégia”, disse Driscoll em uma carta publicada no Reddit no dia 15 de março. “Também pedi que meu editor não usasse mais o status de primeiro lugar dos mais vendidos do The New York Times em futuras publicações, e estou trabalhando para tirar isto de publicações anteriores também”. Segundo o porta-voz da igreja, Justin Dean, Mark Driscoll também escreveu outra carta destinada apenas aos membros da igreja.

Além disso, Driscoll pediu desculpas à sua igreja pela falta de humildade. Segundo ele mesmo disse, seus dias de “jovem profeta nervosinho” acabaram.

Confesso que fiquei impressionado com a atitude de Driscoll. Realmente ele cometeu erros bem sérios, ainda mais se tratando de um líder bastante influente, tanto em sua megaigreja quanto nas redes sociais. Um tropeço grande como esse poderia atrapalhar muitos na caminhada da fé. Mas sua atitude de assumir publicamente seus erros e pedir perdão foi realmente surpreendente.

A igreja evangélica está farta de líderes megalomaníacos que não têm a menor vergonha em torcer e distorcer a Palavra de Deus pra se beneficiar e enganar o povo. E vez ou outra aparecem escândalos de bispos, apóstolos etc que são acusados de crimes como lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e até mesmo estupro. Quando estes são pegos pela Justiça, a reação é sempre a mesma. Dizem estar sofrendo perseguição religiosa, que o inimigo está armando ciladas contra eles e que os crentes devem orar pra que eles sejam soltos. Comportamento bem semelhante ao dos políticos presos do mensalão.

Em meio a um grave erro, Driscoll demonstrou o que deveria ser marca registrada de todo que se diz cristão: arrependimento. Abaixou a cabeça, assumiu seu erro e pediu perdão, sem apresentar nenhuma justificativa pra aliviar sua barra. Apenas se arrependeu e pediu perdão. Driscoll colocou a cara à tapa, se colocou na berlinda. Uma posição nada cômoda que pode lhe custar seu ministério, sua reputação, seu cargo.

Justamente esse apego a cargos e títulos, esse zelo maior pela própria reputação do que pelo Reino de Deus, é que faz líderes religiosos caírem e jamais se arrependerem. Preferem “sujar” o nome de Deus do que o deles próprios. Mark Driscoll preferiu o arrependimento, a humildade e a busca pelo perdão. Preferiu tirar as máscaras e assumir-se como um humano como qualquer outro, falho e pecador. Mark Driscoll deixou o posto de megapastor para assumir a posição de filho de Deus.

A atitude de Driscoll é exemplo para todos nós. Não só para esses líderes a quem temos imenso prazer de acusar e chamar de falsos profetas, mas pra cada um de nós. Não somos super-heróis da fé, não somos invencíveis e impecáveis. Por mais santos e gabaritados que possamos achar que somos, nada muda o fato de que somos pecadores. E se acontecer um tropeço, a atitude mais apropriada sempre será o arrependimento sincero. Sem nenhum medo de parecer um fraco, um perdedor. Fracos todos somos; nossa força está na humildade.

Casado com a bela Thaís, nerd incorrigível e amante das letras, principalmente as sagradas. Grande fã do AC/DC.

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